O expositor estrangeiro decide de qual feira vai participar antes de o seu mapa de pavilhão existir. E a sua venda de ár
O expositor estrangeiro decide de qual feira vai participar antes de o seu mapa de pavilhão existir. E a sua venda de área começa depois disso.
Não é falta de interesse do mercado externo pelo Brasil. É descompasso de calendário, e ele é invisível até virar espaço vazio no fundo do pavilhão.
Por que a venda internacional de área vence primeiro?
Porque a empresa de fora não compra metragem. Ela compra um projeto inteiro, e a metragem é só a primeira linha dele. Junto vêm aprovação da verba de feiras do ano, reserva de posição, contratação de montadora, despacho e desembaraço de carga, seguro, agenda de executivos, vistos, hospedagem em uma cidade que ela não conhece. Cada item tem prazo próprio, e o prazo mais longo manda em todos os outros. Quando o organizador abre a comercialização, parte relevante do calendário desse expositor já foi comprometida com outra feira, em outro país.
O padrão que se repete edição após edição:
- A venda abre bem, porque os expositores recorrentes renovam posição.
- O miolo do mapa avança devagar, porque quem ainda não decidiu quer ver o mapa preenchido antes de entrar.
- O fundo do pavilhão sobra para o final do ciclo, exatamente o período em que o expositor internacional já não consegue mais organizar logística.
- O organizador conclui que não existe demanda internacional para aquele setor, quando o que faltou foi antecedência comercial.
O que muda quando a captação internacional tem calendário próprio?
A prospecção de fora não pode nascer junto com a doméstica. Ela precisa de uma linha do tempo paralela, que começa antes, trabalha em outro idioma e responde a perguntas que o expositor nacional nem faz: quem despacha a carga, qual é o custo de montagem no Brasil, qual documento a empresa precisa para justificar a viagem internamente, quanto tempo leva o processo de visto para a equipe técnica.
E principalmente: o mapa precisa reservar posição para essa conta antes de ela dizer sim. Vender o corredor nobre inteiro para quem decide rápido é uma escolha, não um acaso, e ela custa a presença internacional da edição seguinte.
A nossa proposta é tratar captação de expositores como duas operações distintas, com metas, cadências e prazos diferentes, e não como uma lista única trabalhada pela mesma equipe no mesmo mês.
Se você olhar o mapa da sua última edição, consegue apontar em qual semana a venda de área parou de crescer e por qual motivo?